quinta-feira, 22 de junho de 2017

Governo ainda não decidiu se TDM e Mcel vão fundir ou apenas convergir

O Governo de Filipe Nyusi ainda não decidiu se as deficitárias Telecomunicações de Moçambique(TDM) e a Moçambique Celular(Mcel) vão fundir ou apenas convergir. Em entrevista ao @Verdade o ministro dos Transportes e Comunicações, Carlos Mesquita, revelou que “ainda não está claro, nós sabemos o que queremos, queremos resultados. Agora como é que se vai fazer, qual é a melhor forma de fazer esperemos que seja o Conselho de Administração a apresentar”. O @Verdade apurou que a consultoria para a reestruturação foi realizada por uma empresa alemã parceira de longa data do Estado moçambicano, a DETECOM.

Desde o passado dia 8 que as duas empresas estatais de telecomunicações deixaram de ter Conselhos de Administração distintos e são lideradas Mahomed Rafique Jusob, co-adjuvado por Mário Luís Albino e Binda Celestino Augusto Jocker.

Tendo sido o primeiro passo de conhecimento público relativamente à reestruturação das empresas, onde o Estado moçambicano é accionista maioritário(detém 80% das TDM e 100% da Mcel), o @Verdade questionou ao titular das Comunicações afinal qual será o negócio da nova empresa que em princípio será criada.

“Primeiro o que é fusão o que é convergência, esta equipa que foi posta tem exactamente o mandato para nos apresentar como vai funcionar na base daquilo que se pretende” começou por afirmar Carlos Mesquita em exclusivo ao @Verdade.

“O Governo quer primeiro é viabilidade. Em termos tecnológicos, hoje em dia tudo aquilo que é tecnologia fixa e móvel já se pode fazer dentro dos mesmos equipamentos” explicou o governante revelando ao @Verdade que “há três ou quatro opções” no seguimento de um estudo realizado há 2 anos pela empresa alemã DETECOM.

O @Verdade apurou que não houve concurso público para a realização desse estudo, aliás a Deutsche Telepost Consulting GmbH (DETECOM) é uma parceira de longa do Estado moçambicano tendo sido inclusivamente accionista da Mcel quando esta surgiu em 1998 como Telecomunicações Móveis de Moçambique. Na altura a empresa alemã, subsidiária da gigante Deutsche Telekom AG, detinha 26% do capital que entretanto passou para o controlo do Instituto de Gestão de Participações do Estado (IGEPE).

“O que é fusão, que tipo de fusão, como, qual é o produto que se vai vender, se é o produto Mcel se é o produto TDM. Ainda não está claro, nós sabemos o que queremos, queremos resultados. Agora como é que se vai fazer, qual é a melhor forma de fazer esperemos que seja o Conselho de Administração a apresentar”, declarou o ministro Mesquita.

Decisão final sobre a reestruturação das TDM e Mcel só em 18 meses

Questionado pelo @Verdade se o Estado moçambicano pretende manter-se como o accionista maioritário ou vai vender parte ou a totalidade dos seu capital nas TDM e MCEL o ministro dos Transportes e Comunicações esclarece que “esse também é outro aspecto que vamos ver, é preciso trazer não é preciso trazer, em que condições em termos de parcerias, em termos de venda de capital, tudo isso aí queremos que o Conselho de Administração veja”.

De acordo com Carlos Mesquita o horizonte temporal estabelecido para a decisão final sobre a reestruturação das duas empresas de telecomunicações é de 18 meses.

Recorde-se que o @Verdade revelou em exclusivo as contas recentes das duas empresas estatais que à data do início da reestruturação, 2015, de mais de 2 biliões de meticais.

Ambas perderam negócio e clientes e fecharam o exercício desse ano com capitais próprios a reduzirem, nas TDM caíram para 4,3 biliões de meticais contra 4,8 no exercício anterior, enquanto na Mcel reduziram de 4,4 biliões para 2,7 biliões de meticais.

Aliás desde 2012 que o volume de negócio das TDM tem registado perdas, de 3,2 biliões de meticais reduziu para 3,1 biliões, em 2014 caiu para 2,8 biliões de meticais e fechou 2015 nos 2,9 biliões.

A Moçambique Celular também tem visto reduzir o seu volume de negócios, em 2012 cifrou-se em pouco mais de 9 biliões de meticais, depois caiu para 8,1 biliões, no ano de 2014 quedou-se nos 6,6 biliões e fechou o ano de 2015 nos 6 biliões de meticais. Desde 2012 que a Mcel não gera dividendos para o seu accionista, o povo moçambicano.

Ademais, nos últimos anos, as empresas estatais de telecomunicações acumularam dívidas em bancos nacionais e estrangeiros. No fecho do exercício de 2015 as TDM deviam a médio e longo prazo 1,9 bilião de meticais acrescidos de outros passivos financeiros de mais de 1,6 bilião de meticais. Já a dívida a médio e longo prazo da Mcel na banca era de 1,6 bilião de meticais mais outros 4,3 biliões de meticais em dívidas a curto prazo.



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