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domingo, 13 de janeiro de 2013

@Verdade online: Basquetebol: Matola e o clube que nunca existiu

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Basquetebol: Matola e o clube que nunca existiu
Jan 10th 2013, 17:03

No pavilhão desportivo da Escola Industrial e Comercial da Matola funciona um "centro livre de basquetebol". Na verdade, é um grupo de amigos que se encontra para fazer o que mais gosta, sem se esquecer de transmitir alguns ensinamentos sobre a modalidade aos mais novos. Dali, mesmo sem o cumprimento estrito das regras, sobressaíram grandes nomes do basquetebol nacional.

Começaram há muitos anos a jogar basquetebol no pavilhão desportivo da Escola Industrial e Comercial da Matola. Como eles próprios avançam, quando deram por si cada um deles estava já a lançar a bola ao cesto, nas tabelas daquele local.

É um número inestimável por se tratar de um colectivo informal. Porém, na altura da nossa visita, estavam presentes 17 praticantes da modalidade, de todas as gerações.

São todos amigos de infância e que, por diversas razões, um dia encontraram-se para fazer o que mais lhes dá prazer: atirar a bola ao cesto. Muitos deles, segundo apurámos no local, vivem nas imediações do próprio estabelecimento de ensino. Outros, em locais mais distantes, contam que chegaram ao local por convite e/ou porque souberam que naquele pavilhão há basquetebol de rua, mas levado muito a sério.

Segundo a história narrada no local, algumas referências do basquetebol nacional passaram os seus primeiros momentos naquele espaço, também com um grupo de amigos. Fala-se por exemplo de Gerson Novela e os seus dois irmãos, Armindo e Nando, Fernando Manjate e Victor Tamele, hoje vistos como ídolos pelos mais novos.

Porque uns trabalham e outros estudam, o grupo só se encontra aos fins-de-semana. É verdadeiramente no período de férias, sobretudo porque a maioria é constituída por estudantes, de Dezembro a Janeiro, que eles se encontram todos os dias para, por dia, dependendo da motivação de cada um, jogar no mínimo duas horas, sempre a partir das 9 horas.

A dado momento da história, dividida em dois períodos, primeiro relativa à década de 90 e mais tarde em 2006, tentaram constituir um clube de basquetebol, para participar nos diversos torneios entre bairros, tendo como horizonte os campeonatos provinciais e, quiçá, nacionais.

"Wu Teng" foi o primeiro nome adoptado para, mais tarde, se metamorfosear em Clube Desportivo da Matola. Infelizmente, os dois nomes "pereceram" por falta de estrutura, o que não afectou a continuidade da prática da modalidade naquele espaço, actividade que se enraizou, tornando-se, desse modo, uma tradição.

Segundo informações obtidas pela nossa equipa de reportagem, os dois grandes clubes de basquetebol que surgiram na Matola, nomeadamente o Clube de Fomento e o da Matolinhas, o primeiro já desaparecido, foram fundados por jogadores deste grupo de amigos. Por outro lado, devido à extinção do Fomento, os jogadores regressaram à "casa" e continuaram a jogar o basquetebol recreativo ao lado dos demais amigos, naquele pavilhão desportivo da Escola Industrial e Comercial da Matola.

Abriu-se um novo conceito de basquetebol livre

Apesar da tentativa fracassada de criar um clube, sentenciado ao desporto recreativo, este grupo de amigos inveterado no basquetebol dispensa treinadores, árbitros, patrocinadores e, não menos importante, uma estrutura organizacional. Para se encontrar, a comunicação é feita através de mensagens telefónicas, sendo de surpreender a adesão, na medida em que cada um chega como se estivesse diante de um torneio, diga-se, olímpico.

Todos podem ser árbitros, bastando apenas serem conhecidas as regras. Neste aspecto são unidos e exaltam-se todos quando um companheiro recusa ter cometido uma falta. Não existe equipamento, ou seja, treinam e jogam com as suas próprias roupas. A contribuição monetária é feita quando for a vez de adquirir tabelas, redes e bolas, bem como cuidar do próprio pavilhão quando algo lhes impossibilita de jogar, como é, por exemplo, o suporte da tabela.

Jogam livremente e por lazer, mas com o semblante de quem está diante de um torneio. Os treinos são espectaculares no sentido em que consegue estar em concordância mesmo sem obedecer a um comando técnico. O sistema de jogo é de uma equipa de três a jogar na mesma tabela, numa só metade do campo, cujas regras pressupõem que a turma adversária que recupera a bola tem o dever de sair do garrafão e reiniciar a jogada fora dela. Por vezes alinham em todo o campo, no sistema regular, todavia, o campo tem falta duma tabela.

Quando, por exemplo, são chamados a participar num evento ou a jogar contra um bairro, concordam em vestir camisetas com a mesma cor, mantendo a informalidade do resto do equipamento. Já ganharam prémios mas o que mais lhes deixa orgulhosos é mesmo a participação e os convites em si.

Algo que se destaca neste conjunto, que se calhar é mais um detalhe para aquilo que lhes torna um grupo de tradição ali naquele local, é o facto de alguns serem federados estando ali somente para relembrar os seus tempos de infância, ao lado dos que (até) abandonaram alguns clubes profissionais por diversos motivos. Há, entre eles, sobretudo nos mais novos, aqueles que querem ganhar experiência e maturidade antes de engrenarem no profissionalismo que existe nesta modalidade desportiva em Moçambique.

O mais caricato nisto, depois de observar que este grupo é muito animado quando pratica desporto, é que na Matola lamenta-se a vários níveis a inexistência de clubes profissionais de basquetebol. Actualmente, só existe o Matolinhas.

Os artistas da bola do pavilhão da Escola Industrial da Matola

Domingos Parafino Júnior, 23 anos

"Comecei muito cedo a jogar basquetebol neste local. Tinha apenas seis anos de idade. Foi por influência de amigos e vizinhos, cujos pais e irmãos já praticavam a modalidade. No começo foi tudo por curiosidade e vontade de introduzir a bola no cesto. Quando pela primeira vez consegui, deu-me vontade de marcar mais e de longe, daí nunca mais parei.

Tive passagens por vários clubes, desde a antiga Academia de Basquetebol da Matola até ao extinto Desportivo também da Matola. Passei para o Maxaquene onde militei no escalão dos iniciados antes de rumar ao Ferroviário de Maputo para jogar como juvenil.

Hoje estou no Costa do Sol a jogar como júnior e devo dizer que não estou feliz com a forma como é tratado o basquetebol nacional. Vou continuar a jogar aqui como recreativo pois faz-me bem e vou a todo custo transmitir o pouco que sei aos mais novos".

Jorge José Bambo, 20 anos

"Jogo aqui desde os meus dez anos. O meu primeiro contacto com a bola foi aqui, neste pavilhão da Escola Industrial. Vesti a camisola do Clube Matolinhas antes de chegar à selecção da Universidade Eduardo Mondlane.

Neste momento estou parado e sem clube, porém, gostaria de um voltar a jogar como federado. No passado tive proposta para rumar ao profissionalismo, no entanto tive de fazer escolhas e nessa altura preferi continuar com a minha formação académica.

Estou bastante desiludido com a forma como procedem os clubes nacionais, sobretudo na forma como tratam este assunto de escalões. Alguns preferem ser eles mesmos a formar os seus próprios talentos do que ir ao mercado buscar os que já estão formados, como é o meu caso.

Sonho um dia poder jogar na equipa A Politécnica, que tem uma boa base de formação. Lamento o facto de aqui na Matola não termos clubes e ver o basquetebol profissional a degradar-se ainda mais."

Willfred Nhabanga, 21 anos de idade

"Entrei para esta academia, diga-se de passagem, com apenas 10 anos. Naquela altura existia aqui o Desportivo da Matola. Porém, devo dizer que independentemente dessa confusão entre clube e um grupo recreativo, formei-me cá, neste pavilhão.

Tive passagens pelas equipas juvenis do Desportivo de Maputo para além de ter representando a Escola Secundária da Matola, na qualidade de capitão, na primeira edição do Basquet Show. Representei igualmente a província de Maputo nos Jogos Desportivos Escolares Nacionais de 2011.

Cheguei a vestir a camisola do Ferroviário de Maputo na qualidade de júnior, contudo fui obrigado a abandonar o basquetebol federado em 2008 por motivos académicos. Não penso em voltar ao basquetebol federado, prefiro jogar aqui ao lado dos meus amigos e ensinar o que sei aos que me seguem."

Ricardo Lourenço, 16 anos

"Cheguei aqui há sensivelmente sete anos. Naquela altura estava-se a organizar um torneio de mini-básquete entre bairros e fui chamado a representar o bairro de 700, que treinava aqui. Já jogava basquetebol na Escola Secundária da Matola e em 2011 fui chamado a representar a província de Maputo nos Jogos Desportivos Escolares.

Fui para o Ferroviário de Maputo onde hoje alinho na equipa juvenil. Porém, é aqui na Matola que gostaria de jogar se houver clubes e rodagem de competições. Aqui continuarei a jogar porque sinto que, apesar de não ser um clube, adquiro mais habilidades."

Alcídio Maússe, 32 anos

"Comecei a jogar aqui quando tinha apenas 11 anos e com um grupo de amigos. Na altura sonhávamos em ser grandes estrelas, daquelas que víamos pela televisão. Aos 13 anos rumei ao Maxaquene onde militei nas fileiras dos iniciados até chegar aos juniores. Parei de jogar quando chegou a vez de entrar para a faculdade embora nunca tenha deixado de praticar a modalidade, aqui na Escola Industrial.

Quando terminei a faculdade não podia voltar ao básquete federado devido ao trabalho e consolei-me vindo para aqui. Fundámos, a dada altura, uma espécie de clube que participava em torneios. Faliu mas logo a seguir constituímos o Matolinhas, que existe até hoje.

Aqui por mais que sejamos um só grupo, constituído por amantes do basquetebol, existem três tipos de atletas, nomeadamente: os que precisam de clubes, os que por vários motivos abandonaram o basquetebol federado e os reformados, como é o meu caso. E sempre foi assim.

Há dias em que jogadores profissionais e de clubes já firmados como o Maxaquene e o Ferroviário de Maputo, sobretudo no fim-de-semana, aparecem para se divertir connosco. E com os meus 32 anos devo dizer que isto é uma verdadeira escola de basquetebol."

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