domingo, 28 de maio de 2017

Heliporto do Banco de Moçambique reprovado pelo IACM; povo já não terá acesso ao silo de ...

Foto de Adérito CaldeiraO heliporto construído no milionário edifício do Banco de Moçambique não foi aprovado pelo Instituto da Aviação Civil de Moçambique (IACM). O @Verdade apurou também que o povo já não terá acesso ao silo de automóveis que o banco central está a construir em parceira como Conselho Municipal da Cidade de Maputo.

Muito secretismo e pouca transparência existe em torno da construção da nova sede do Banco de Moçambique (BM). Quando em finais de 2011 foi lançado o concurso público para a sua edificação constava do caderno de encargos a demolição da antiga Casa Coimbra e a construção de dois edifícios, um destinado a escritórios do banco e o outro com funcionalidade mista, um silo automóvel, escritórios, áreas comerciais, restaurantes, bar panorâmico e sala de conferências, este último numa área onde funcionava a Brithol Michcoma e um parque de estacionamento.

Oficialmente o BM nunca revelou o custo das obras, todavia a construtora que ganhou o concurso público declarou formalmente que a empreitada estava orçada em 2.203.949.912,52 meticais, cerca de 73,4 milhões de dólares norte-americanos ao câmbio da altura.

Passado mais do que o dobro do prazo inicialmente estabelecido, que foi previsto em 29 meses, e à medida que o milionário arranha céus vai ganhando forma descobriu-se que foi também edificado um espaço para a acomodação de um helicóptero cujo custo não é público, não se sabe se está incluído no orçamento inicial ou foi uma extravagância da antiga administração liderada por Ernesto Gove.

O que é certo é que no topo do silo automóvel, que inicialmente estava projectado para 19 andares mas o @Verdade apurou ter 20 andares, o heliporto foi construído, porém a aterragem de helicópteros foi reprovada pelo Instituto da Aviação Civil de Moçambique.

“Sim não está certificado, por problemas de segurança” confirmou o presidente do Conselho de Administração do IACM, João de Abreu Martins, em entrevista telefónica ao @Verdade.

O @Verdade questionou formalmente ao banco central qual é a necessidade que o Banco de Moçambique tem de possuir um heliporto, se por ventura a instituição possui um helicóptero, mas uma semana após o contacto o BM não respondeu.

Silo automóvel que é parceria com Município já não terá lugares para o povo

Foto de Adérito CaldeiraUm outro enigma que o @Verdade procurou o esclarecimento do Banco de Moçambique é o custo da nova sede, é que contrariamente ao concurso público inicial que previa apenas a construção de dois edifícios na Cidade de Maputo foram edificados quatro edifícios. Sabe-se ainda grande parte dos materiais de construção em uso nas obras são importados, portanto custam divisas ao erário.

Até ao fecho desta edição o BM não respondeu às questões formalmente apresentadas. Todavia o @Verdade apurou, através de várias fontes concordantes, que o custo inicial 73,4 milhões de dólares mais do que quadruplicou, ultrapassando mais de 315 milhões de dólares norte-americanos, e ainda assim a nova sede não tem data para ser inaugurada.

Ironicamente o Tribunal Administrativo apurou no Relatório sobre a Conta Geral do Estado que o banco central contraiu no exterior uma dívida de 150 milhões de dólares norte-americanos cuja finalidade é desconhecida.

Ademais a megalomania do banco central obrigou ainda a Electricidade de Moçambique a construir uma nova linha de transporte de energia, assim como uma subestação, para a alimentação eléctrica da nova sede que tem um consumo estimado de pelo menos 6 megawatts, consumo idêntico ao de um município de categoria B.

Aliás o silo automóvel que está a ser edificado na nova sede do BM é uma parceria com o Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) e nesse âmbito alguns dos mais de mil lugares de estacionamento seriam abertos aos munícipes que pudessem pagar o seu acesso. Entretanto o @Verdade apurou que o Banco de Moçambique decidiu que esses lugares de estacionamento já não serão partilhados com o povo.

“Houve um pedido por parte do Banco de Moçambique, por razões de segurança, ainda estamos em discussão” explicou João Munguambe, o Vereador de Actividades Económicas do CMCM.

“Se entrarem para o parque todos os carros dos trabalhadores do banco libertam estacionamento para os munícipes”, argumentou ainda Munguambe em contacto telefónico com o @Verdade.

O @Verdade contactou formalmente o BM para clarificar todas estas questões mas após cerca de uma semana de espera a instituição agora dirigida por Rogério Zandamela não se dignou a responder.



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