domingo, 11 de junho de 2017

Dívidas das TDM e Mcel a fornecedores e bancos ultrapassam 14 biliões de meticais, ambas ...

Na passada quinta-feira(08) foi dado um importante passo para a fusão das Telecomunicações de Moçambique(TDM) e a Moçambique Celular(Mcel) com a realização de uma Assembleia Geral dos accionistas que decidiu indicar um Conselho de Administração para conduzir o processo. Entretanto o @Verdade revela que o alegado reforço do posicionamento do Grupo TDM, que se advoga que virá desta fusão, não passa de uma junção de problemas: o prejuízo de ambas empresas é superior a 2 biliões de meticais, as dívidas com a fornecedores(nacionais e estrangeiros) e a bancos(nacionais e estrangeiros) ultrapassa os 14 biliões de meticais. Paradoxalmente os moçambicanos que acabarão por pagar estes prejuízos(o accionista das empresas é o Estado) nada sabem sobre esta reestruturação que decorre no maior secretismo desde o ano passado.

O Estado moçambicano(que detém 80% das TDM e 100% da Mcel) escolheu o jurista Mahomed Rafique Jusob para presidir o Conselho de Administração, juntamente com Mário Luís Albino e Binda Celestino Augusto Jocker, que tem a missão de conduzir o processo de fusão das deficitárias empresas de telecomunicações estatais.

O @Verdade analisou os Relatórios e Contas de ambas empresas, à data do início das fusão, 2015, e constatou que as TDM registaram prejuízos superiores a 510 milhões de meticais enquanto a Mcel viu o seu prejuízo aumentar de 813 milhões em 2014 para 1,6 bilião de meticais.

Mas embora as Telecomunicações de Moçambique tenham continuado a registar decréscimo no seu negócio monopolista de linhas fixas e ainda nos seus serviços de internet(fixa e móveis) as receitas geradas pelos circuitos alugados e internet dedicada permitiram fechar o exercício com um volume de negócios de 2,9 biliões de meticais, um pouco superior ao ano anterior.

Por seu turno a Moçambique Celular não pára de perder cliente para a concorrência, particularmente no segmento de pré-pagos, o que resultou num volume de negócios de pouco mais de 6 biliões de meticais em 2015, menos 630 milhões do que o ano de 2014.

Os capitais próprios de ambas empresas reduziram, nas TDM para 4,3 biliões de meticais contra 4,8 no exercício anterior, na Mcel reduziu de 4,4 biliões para 2,7 biliões de meticais.

TDM e Mcel pararam de pagar aos fornecedores para evitar falência

Ao longo dos últimos anos ambas empresas de telecomunicações estatais acumularam dívidas em bancos nacionais e estrangeiros. No fecho do exercício de 2015 as TDM deviam a médio e longo prazo 1,9 bilião de meticais acrescidos de outros passivos financeiros de mais de 1,6 bilião de meticais. Já a dívida a médio e longo prazo da Mcel na banca era de 1,6 bilião de meticais mais outros 4,3 biliões de meticais em dívidas a curto prazo.

Com as receitas em queda e com elevadas dívidas na banca as Telecomunicações de Moçambique e a Moçambique Celular têm se financiado nos tempo recentes com o seus fornecedores, ou melhor não pagando aos seus fornecedores. Nas TDM a dívida com fornecedores passou de 1,3 bilião, em 2014, para 1,6 bilião.

A Mcel parou literalmente de pagar aos seus fornecedores, elevando a sua dívida para 2,9 bilião de meticais, mais de 1,1 bilião do que no ano transacto. Aliás o seu resultado de caixa no fim do exercício de 2015, que foi 860.429.002 meticais, nem sequer dava para cobrir as dívidas desse ano. Se tivesse de pagar aos seus fornecedores a Moçambique Celular entrava em falência. Entre os fornecedores destacam-se as empresas chinesas Huawei e ZTE e ainda a Alcatel.

Ironicamente, apesar destes maus resultados em vendas e das dívidas acumuladas, nenhuma das duas empresas tomou medidas de contenção, a julgar pelos seus Relatórios e Contas. Tanto nas TDM como na Mcel a rubrica de salários aumentou em vários milhões de meticais.

Governo não esclarece qual vai ser o negócio da empresa fundida

O @Verdade tentou sem sucesso obter um comentário das administrações das Telecomunicações de Moçambique e a Moçambique Celular.

Contudo, contactado o Instituto de Gestão das Participações do Estado(IGEPE), foi possível apurar que a fusão está em curso há vários meses e que o processo envolve a “convergência das plataformas tecnológicas, sistemas e procedimentos, assim como de processos operacionais e contabilísticos”. Está ainda em curso a “reestruturação financeira das empresas” assim como “o posicionamento da nova empresa no mercado”, esclareceu o IGEPE.

Todavia o IGEPE não respondeu ao @Verdade qual vai ser o negócio e a missão da nova empresa e quantos trabalhadores vai manter?

É que as TDM tinham 1.443 trabalhadores e a Mcel outros 850. Por outro lado tanto as TDM como a Mcel têm perdido dinheiro justamente nos seus principais negócios o que indicia que junta-las para fazerem o mesmo negócio, quiçá com custos menores, não é viável.

Alguns economistas ouvidos pelo @Verdade explicaram que a fusão das duas empresas é uma má opção do Governo de Filipe Nyusi, a solução é privatizar.

É que mesmo que o Executivo injecte os 14 biliões que as empresas têm em dívidas outros biliões serão necessários investir para que a nova empresa tenha os meios necessários para competir no cada vez mais acirrado mercado das telecomunicações em Moçambique.



via @Verdade - Últimas http://ift.tt/2rgTQlF

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