segunda-feira, 3 de julho de 2017

Custo da nova sede do Banco de Moçambique dava para construir quatro hospitais centrais ou 11 ...

Foto de Adérito CaldeiraO Presidente Filipe Nyusi inaugurou nesta segunda-feira(03) a nova sede do Banco de Moçambique(BM). Na ocasião o Chefe de Estado defendeu que 42 anos depois da proclamação da Independência e da criação do Banco Central, Moçambique já merecia ter edifícios modernos. Oficialmente nenhuma das autoridades presentes mencionou o custo dos três novos edifícios que incluem um heliporto não Certificado. Porém o @Verdade apurou que a obra custou pelo menos 315 milhões de dólares norte-americanos, valor suficiente para construir pelo menos 4 hospitais centrais ou 11 mil salas de aulas à prova de Calamidades Naturais.

Num país onde faltam mais de 32 mil salas de aulas e onde apenas um Hospital Central foi construído pelo Governo do partido Frelimo nos 42 anos que está no poder(os Hospitais Centrais da Beira, Nampula e Maputo foram edificados no tempo colonial), a prioridade não é claramente edificar infra-estruturas para servir o povo moçambicano.

“(...)Após 32 anos de funcionamento em instalações construídas na época colonial, mais precisamente no ano de 1963, era chegada a hora de dotar o banco central de Moçambique de instalações mais condignas, que espelhassem o futuro do país que estamos a edificar”, deixou claro Rogério Zandamela durante a cerimónia de inauguração da nova sede da instituição que dirige.

Durante os discursos, não houve espaço para conferência de imprensa, muitos adjectivos foram usados para qualificar os três novos edifícios mas quer o Presidente da República, o Governador do BM ou o ministro da Economia e Finanças, nenhum deles referiu-se ao custo das obras que iniciaram a 16 de Junho de 2011 e deveriam ter sido concluídas antes do término de 2014.

Aliás, oficialmente o Banco de Moçambique, que deveria ser o baluarte da transparência financeira, nunca revelou o custo das obras, porém a construtora portuguesa que ganhou o concurso público divulgou na altura que a empreitada estava orçada em 2.203.949.912,52 meticais, cerca de 73,4 milhões de dólares norte-americanos ao câmbio de então.

Entretanto o @Verdade apurou que a torre de escritórios, o silo auto e o pólo técnico custaram pelo 315 milhões de dólares norte-americanos que não se sabe serem provenientes de fundos do banco central ou corresponderam a nova dívida pública. É que o Tribunal Administrativo apurou no Relatório sobre a Conta Geral do Estado de 2015 que o Banco de Moçambique contraiu no exterior uma dívida de 150 milhões de dólares norte-americanos cuja finalidade não foi esclarecida.

Foto de Adérito Caldeira

O único Hospital Central construído após a independência e inaugurado por Filipe Nyusi, em Quelimane, custou somente 55 milhões de dólares norte-americanos. Uma sala de aulas de material convencional custa 24.500 dólares, se a mesma infra-estrutura for edificada à prova de Calamidades Naturais esse custo aumenta cerca de 8% o que quer dizer que pelo custo da nova sede do Banco de Moçambique podiam ter sido construídas 11.320 salas de aulas Seguras.

Mas claramente no Moçambique que está a ser construído a Saúde e Educação são somente prioridades nos discursos dos governantes do partido Frelimo.

Heliporto sem Certificação e silo auto fechado ao povo

Por outro lado, e embora Rogério Zandamela tenha prestado “uma merecida homenagem ao Dr. Ernesto Gove (…) pela visão e coragem na tomada de decisão de erguer este complexo de edifícios”, houve um cuidado particular durante toda cerimónia em esconder que no topo do silo de auto foi edificado um espaço para a aterragem de helicópteros que no entanto não foi Certificado pelo Instituto da Aviação Civil de Moçambique por problemas de segurança.

O Banco de Moçambique também não revelou que o silo auto de 14 pisos, com capacidade para 700 viaturas, já não vai estar aberto para o uso do público como foi veiculado no início da obra.

É que o local onde o silo auto foi construído foi cedido pelo Conselho Municipal da Cidade de Maputo (CMCM) no âmbito de uma parceria que não é pública mas previa alguns lugares para o estacionamento dos munícipes.



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