quarta-feira, 11 de julho de 2018

Promessa de Moçambique “sulcado de vias de acesso transitáveis” cada vez mais uma miragem

Grafismo de Nuno TeixeiraA promessa do Presidente Filipe Nyusi de não descansar “enquanto não tiver um país sulcado de vias de acesso transitáveis” é cada vez mais uma miragem. Em 2018 apenas 150 dos 455 quilómetros de estradas nacionais e regionais serão reabilitadas. Somente mais 250 quilómetros de estradas deverão ser asfaltadas para uma meta de mais de 2 mil quilómetros no final do mandato. O motivo, que não é assumido publicamente, é a crise precipitada pela descoberta das dívidas da Proindicus e MAM.

“Não descansarei enquanto não tiver um país sulcado de vias de acesso transitáveis que assegurem, em todas as épocas do ano, a circulação de pessoas e bens em todo o território nacional”, prometeu Filipe Nyusi na sua posse em 2015.

Após de um ano inicial promissor, desde 2016 que o Ministério das Obras Públicas Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH) vem falhando as suas próprias metas que, diga-se, sempre estiveram longe de cobrir as reais necessidades de asfaltagem, reabilitação ou mesmo manutenção das estradas em Moçambique.

A meta do Plano Quinquenal do Governo de Nyusi estabelece que no término do mandato 2.774 quilómetros de estradas nacionais e regionais deverão ter sido reabilitadas. No entanto em 2016 foram só 239 for alvo de algum tipo de obra, em 2017 as reabilitações aconteceram em 220 quilómetros e para 2018 o MOPHRH prevê intervir em apenas 150 quilómetros.

Destacar que as estradas nacionais a serem reabilitadas são as mesmas desde 2016: N220 entre Chissano e Chibuto, N221 ligando Chibuto a Guijá, N14 conectando Lichinga a Litunde, N4 entre Ressano Garcia e Maputo, N200 a partir de Boane, passando pela Belavista até a Ponta de Ouro, e também a N6 ligando Beira e Machipanda.

Ministério das Obras Públicas Habitação e Recursos Hídricos

Relativamente à asfaltagem das estradas nacionais, que até 2019 deverá abranger 2097 quilómetros, o Executivo avançou 92 quilómetros, fez mais 135 quilómetros em 2017 e projecta alcatroar 250 quilómetros este ano.

No entanto apenas 5 quilómetros entre Roma e Negomano são “novos”, as restantes estradas são as mesmas que têm sido adiadas há vários anos. A N11 Benfica – Milange, a N13 Malema – Cuamba, a N14 Montepuez – Ruaça, a N221 Caniçado – Mapai, N13 Cuamba – Muita , Muita – Massangulo e Massangulo – Lichinga, N104 Nampula – Nametil ou a N280 Tica – Buzi – Nova Sofala.

Ministério das Obras Públicas Habitação e Recursos Hídricos

Contudo o @Verdade sabe parte destas obras de reabilitação e asfaltagem ainda carecem de financiamento.

Manutenção periódica em 34 dos 5 mil quilómetros de estradas previstos

Mas os pesadelo de Filipe Nyusi, será que ele não dorme como prometeu, extendem-se a manutenção de rotina que todos anos deveria ser feita a pelo 20 mil quilómetros. Em 2016 foram objecto de manutenção 13.921, no passado foram 13.906 quilómetros mas em 2018 o MOPHRH planificou obras em apenas 8.500 quilómetros.

No que a manutenção periódica, que a meta anual do Plano Quinquenal de Nyusi estabeleceu em 5 mil quilómetros, irá acontecer este ano em somente 34 quilómetros, depois de em 2017 ter acontecido em 136 quilómetros e no ano anterior ter abrangido só 125 quilómetros de estradas.

No que às pontes diz respeito, o compromisso de Filipe Nyusi é construir, reabilitar e manter 57 até ao próximo ano, em 2018 o sector planificou construir 12, reabilitar 2 e efectuar manutenção a 9. Em 2017 tinham sido iniciado a construção de 16 pontes enquanto nenhuma das 3 que deveriam ter sido reabilitadas avançou. O ano de 2016 foi o que melhor desempenho teve com a construção de todas 17 pontes planeadas, a reabilitação de 1 das 3 previstas, e a manutenção de 7 das 8 planificadas.

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