terça-feira, 17 de julho de 2018

Nelson “Agitador” Mandela faria hoje 100 anos de idade

Foto de Adérito CaldeiraSe fosse vivo um dos maiores guerreiros pela Liberdade no mundo faria hoje 100 anos de idade: Nelson “Agitador” Mandela. O @Verdade revela detalhes da infância de Mandela que não é natural da aldeia onde foi sepultado, onde nasceu “Agitador” ou de onde surgiu o nome Nelson.

Nascido a 18 de Julho de 1918, “em Mvezo, um minúsculo lugarejo nas margens do rio Mbashe, no distrito de Umtata, a capital do Transki”, Nelson Mandela revela na sua autobiografia que: “Para além da vida, de uma sólida compleição física e de um vínculo à casa real dos tembos, a única coisa que o meu pai me deixou foi um nome, Rolihlahla. Em língua xossa, Rolihlahla quer dizer, literalmente, puxar um ramo de árvore, mas o seu significado mais corrente é agitador”.

“Não creio que os nomes marquem o destino, nem que o meu pai tenha de algum modo adivinhado o meu futuro, mas nestes últimos anos tanto os amigos como os membros da minha família têm atribuído ao meu nome as muitas tempestades que causei ou que tive de enfrentar”, concluiu o homem que esteve preso quase três décadas mas acabou por reconciliar-se com os seus algozes.

Filho de Gadla Henry Mphakanyiswa e de Nosekni Fanny, a terceira de quatro esposas que o chefe tribal teve, Mandela esclarece que: “Embora fizesse parte da família real, não me contava entre os poucos privilegiados que eram educados para gvernar. Na minha qualidade de membro da Casa Ixhiba, fui, isso sim, e à semelhança do meu pai, preparado para ser conselheiro dos governantes”.

“O meu pai era um homem alto, de pele escura, com uma pose erecta e imponente, que gosto de pensar que herdei. Mesmo por cima da testa ostentava uma madeixa de cabelos brancos, e quando eu era garoto tinha por costume esfregar a cabeça com cinzas brancas para me parecer com ele. Era um homem austero, que não dispensava a vara quando se tratava de disciplinar os filhos. A sua teimosia era inexcedível, outra característica que, infelizmente, parece ter passado de pai para filho”, revela.

“Em Qunu, a nossa vida era menos faustosa, mas foi nessa aldeia que vivi os dias mais felizes da minha infância”

O primeiro presidente negro da África do Sul recorda que: “Os kraals (casa m colmo com terrenos anexos) das mulheres do meu pai situavam-se a grande distância uns dos outros, e ele visitava-os alternadamente. Durante estas visitas, o meu pai gerou treze filhos, quatro rapazes e nove raparigas. Eu sou o filho mais velho da Casa da Mão Direita e o mais novo dos quatro filhos varões do meu pai. Tenho três irmãs: Baliwe, a mais velha, Notancu e Makhutswaba. Embora o filho mais velho do meu pai foi Mlahkwa, o seu sucessor como chefe foi Daligqili, filho da Casa Grande”.

Na sequência de um acto de insubordinação do seu pai para com um magistrado branco, a quem não reconheceu autoridade relativamente a um assunto tribal: “O meu pai, que pelos padrões da época era um aristocrata rico, perdeu não só a fortuna como o título. Foi-lhe sonegada grande parte das terras e do gado e os respectivos rendimentos. Confrontada com esta dificuldades, a minha mãe mudou-se para Qunu, uma aldeia um pouco maior, a norte de Mvezo, onde podia contar com o apoio da família e amigos. Em Qunu, a nossa vida era menos faustosa, mas foi nessa aldeia próxima a Umtata que vivi os dias mais felizes da minha infância e é de lá que provêm as minhas primeiras recordações”.

“Nunca tive um fato que me orgulhasse mais de vestir do que aquelas calças cortadas pelo meu pai”

O Prémio Nobel da Paz escreve na autobiografia “Um Longo Caminho para a Liberdade” que na sua família ninguém nunca tinha ido à escola até um tio haver sugerido a sua mãe que devia frequenta-la.

“Eu tinha sete anos e no dia anterior ao começo das aulas o meu pai puxou-me à parte e disse que eu tinha de ir decentemente vestido para a escola. Até então, e à semelhança de todos os garotos de Qunu, sempre tinha usado uma manta enrolada à volta do ombro e apertada na cintura. O meu pai pegou num par de calças suas e cortou-as por altura do joelho. Mandou-me que as vestisse e o comprimento estava mais ou menos bom; o pior era a cintura, demasiado longa. O meu pai pegou então num cordel e cingiu-me as calças. A minha figura devia dar vontade de rir, mas nunca tive um fato que me orgulhasse mais de vestir do que aquelas calças cortadas pelo meu pai”, desabafa Mandela.

Rolihlahla Mandela até à data conta de onde surgiu o nome Nelson. “Os africanos da minha geração – e mesmo hoje – têm em geral um nome inglês e outro africano. Os brancos não conseguiam, ou não queriam, pronunciar um nome africano, e consideravam pouco civilizado ter um. Nesse dia a menina Mdingane(a professora) informou-me que o meu nome era Nelson. Qual a razão por que escolheu esse nome e não outro não sei. Talvez tenha alguma coisa a ver com o grande capitão, Lorde Nelson, mas não passa de uma suposição”.

Um outro nome pelo qual Mandela era chamado é Madiba e deve-se ao facto de, tal como todos os xossas, este homem que liderou pela acção e pelo exemplo fazer parte de um clã denominado Madiba.

* Escrito por Adérito Caldeira baseado na autobiografia de Nelson Mandela “Um Longo Caminho para a Liberdade”



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