quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

@Verdade online: Pedro Chissano: “Mecenas precisam-se cada vez mais em Moçambique”

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Pedro Chissano: "Mecenas precisam-se cada vez mais em Moçambique"
Feb 14th 2013, 11:26

No dia da publicação de "Algumas Estórias & Brincadeiras com B Grande", o autor, Pedro Chissano, afirmou que o problema da literatura moçambicana não pode continuar a ser discutido sob o ponto de vista da qualidade. "Essa existe". Para si, "hoje, a questão é: quantidade na qualidade". A verdade, porém, "é que de mecenas se precisa cada vez mais em Moçambique"...

Familiares, amigos, admiradores, escritores e amantes da poesia testemunharam na sexta-feira passada, a cerimónia da publicação da segunda obra do escritor moçambicano, Pedro Chissano, num evento que teve lugar no bar anexo às instalações da Associação dos Escritores Moçambicanos (AEMO), em Maputo. A obra, que se intitula "Algumas Estórias & Brincadeiras com B Grande", é constituída por 11 textos, fazendo parte da colecção Karingana que se publica sob a chancela da AEMO.

Sobre a obra escrita por um militante da literatura moçambicana, desde o período anterior ao advento da independência nacional, o escritor moçambicano Marcelo Panguana – que fez a sua apresentação – considerou que se estava diante de uma produção artístico-literária que possui um significado: "a consumação dessa militância que Chissano sempre assumiu com a escrita, desde os tempos em que participou em conferências internacionais representando o nosso país, ou como coordenador desse importante movimento literário que foi a Charrua, até a sua nomeação como secretário-geral da Associação dos Escritores Moçambicanos. Uma militância feita, enfim, de sangue, suor e, fundamentalmente, de palavras".

Panguana leu o livro até que se deixou impressionar com "a leveza do discurso, o modo como se espelha o chão das nossas coisas, sem contudo, perder a dimensão literária do texto".

Diante de uma produção literária de um escritor que possui experiências anteriores à proclamação da independência – época em que já expressava alguma paixão pela literatura – as possibilidades de as estórias que dessa vivência também emanam não serem encantadoras são diminutas.

Aliás, sobre a etapa actual da sua vivência, Pedro Chissano considera que "vivemos as reformas constitucionais que nos levaram a um Estado de Direito Democrático e nos empurraram para um outro extremo: o do capitalismo liberal, onde se confundem as actividades do sector terciário com as do sector primário, sobretudo nas zonas urbanas onde se estimula o consumismo do supérfluo".

Em tudo isso, o pior é que, de acordo com Chissano, "tudo isto vivemos nós a uma velocidade estonteante". Por essa razão, na sua visão que sublima o papel da literatura, "o tratamento destas matérias tão delicadas da nossa história exige oficinas literárias activas – em todos os ângulos de visão, em todas as janelas; o país precisa de romances que nos convidem a uma viagem introspectiva da qual ressaltam as nuances e peripécias por que passámos no processo da construção do nosso Estado, em todas as suas vertentes; romances que nos levem à conquista de mercados internacionais de livro".

Na verdade, Pedro Chissano fala da necessidade de estimular o funcionamento da nossa literatura em moldes industriais por meio da "edição em série com elevados padrões estético-gráficos para podermos chegar lá aos tão famosos e almejados mercados". É todo esse conjunto de desafios que, em Pedro Chissano, nos impele "a clamar alto e em bom som: Mecenas precisam-se cada vez mais em Moçambique".

Ao autor, cujo livro contou com o patrocínio do BCI, não faltam argumentos. Sem desvalorizar os escritores que conquistaram o mercado internacional, Chissano considera que "não faz sentido que a literatura moçambicana seja conhecida lá fora através de dois terços de escritores, num universo populacional de mais de 20 milhões de habitantes".

Textos políticos

Então, como são os textos que compõem "Algumas Estórias & Brincadeiras com B Grande"? Marcelo Panguana – que toma como exemplo a crónica "Os Condenados" – considera que são "breves. Sucintos. Extremamente bem elaborados. Interventivos. Políticos se quisermos, e que tornam Pedro Chissano não um escritor folclórico, banal, mas um homem do seu tempo, preocupado com os profundos problemas que dilaceram a sua pátria e inibem o seu processo de desenvolvimento".

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